
Saio, vou até a varanda.
Nem ao longe vislumbro o teu vulto pela estrada.
Espero por ti com todo o meu corpo em fogo, com os lábios molhados de desejo, com as mãos trêmulas de paixão e o coração cheio de incertezas.
Anoitece lentamente.
Entro, fecho portas e janelas. Não necessito de luz, não preciso ver, pois na minha mente já conheço o barulho dos teus passos tão bem como o cheiro do teu corpo.
No escuro aguardo, ouvidos e narinas atentos...
Só escuto o pio dos pássaros notívagos, o coaxar dos sapos e o rumor da água a correr pelas calhas. Chove lá fora, chove dentro de mim.
O cheiro de mato molhado invade as minhas narinas e nele tento distinguir o cheiro de óleo de amêndoa que sempre encontro misturado ao teu suor.
Tu tardas, ou talvez nem venhas. A razão adverte para que não alimente esperanças, mas o coração teima e o corpo arde.
Quantas vezes as promessas imaginadas foram quebradas?
Olho o relógio e a angústia domina minha razão. Questiono o meu amor que te perdoa sempre. Meu corpo se cala.
Volto à varanda, desespero e eis que de repente vejo o teu vulto a se desenhar, ao longe, na estrada.
Nada mais importa, pois neste momento o pio dos pássaros, o coaxar dos sapos e o rumor da água correndo nas calhas se transformam em uma sinfonia que cala a razão. Só a emoção me envolve.
Teu cheiro já entra pelas minhas narinas, enchendo meus olhos de água e o coração de alegria, arrepiando a minha pele e me fazendo escravo do desejo.
Todo o meu corpo antecipa o calor da tua chegada. E o gozo que se avizinha.
TONY (DOCE MAGO)
Chácara Tietê, 14.11.2009